A trajetória na educação básica dura, em média, 13 anos. Ao longo desse período, o aluno passa por muitas mudanças, tanto ao trilhar seu próprio caminho de amadurecimento e descobertas, quanto ao vivenciar transições do sistema escolar. Quando passa dos anos iniciais para os anos finais do ensino fundamental, por exemplo, o estudante se depara com mais professores, novas disciplinas e um aumento de responsabilidades. Depois, ao chegar ao ensino médio, além das transformações típicas da adolescência, encontra-se mais próximo da vida adulta e de escolhas importantes para o futuro, como qual carreira seguir.
Esses processos — passagem da educação infantil para o 1º ano do fundamental, do 5º para o 6º ano e do 9º para o 1º do ensino médio — podem ser bastante desafiadores e gerar consequências visíveis. Por exemplo: um aluno que tinha bom rendimento escolar pode começar a encontrar mais dificuldades. Também podem surgir desorganização e desânimo com os estudos. Nesses momentos, é importante que as famílias estejam atentas e ofereçam apoio. Como as mudanças de segmento são previsíveis, é possível se antecipar e preparar a criança ou o adolescente para lidar com a transição com mais naturalidade.
Travessias na vida escolar: o que muda e como se preparar
Ao todo, o aluno passa por três grandes transições na educação básica, e cada uma delas exige uma atenção especial. Veja, abaixo, algumas medidas que podem ajudar as famílias a apoiar os filhos nesses momentos.
• Da Educação Infantil para o 1º ano do Ensino Fundamental
Quando a criança passa da Educação Infantil para o Ensino Fundamental, uma das principais mudanças é o início da alfabetização formal. É no 1º ano que o aluno irá começar a aprender, de forma mais estruturada, a ler e escrever. Nessa etapa, os pequenos também passam a ter tarefa de casa, inserida na rotina de forma gradual. Também podem surgir, por parte das famílias, comparações entre colegas (“por que ele já lê e meu filho ainda não?”).
Nessa primeira transição, é fundamental que os pais respeitem o ritmo de aprendizado da criança e compreendam que cada uma irá avançar na leitura no seu próprio tempo. Também é importante valorizar cada progresso e evitar cobranças por resultados.
Outra medida para preparar a criança para o 1º ano é estimular a autonomia. Ao delegar algumas tarefas para os filhos (organizar brinquedos, ajudar em uma receita ou escolher a roupa para um passeio), os pais permitem que eles se sintam mais seguros e confiantes.
Por fim, não pode faltar diálogo. Escutar a criança e conversar sobre a nova etapa que se iniciará, tratando as novidades com naturalidade e empolgação, faz toda a diferença.
• Dos Anos Iniciais aos Anos Finais do Ensino Fundamental (5º para o 6º ano)
Essa talvez seja a transição mais sentida no dia a dia. Enquanto nos anos iniciais o aluno tem apenas um professor de referência, a partir do 6º ano ele passa a ter vários docentes, além de novas disciplinas e uma maior cobrança por autonomia — para a qual nem sempre está preparado.
Nessa fase podem aparecer problemas como baixo rendimento, desmotivação e até mesmo, em casos mais extremos, a não aprovação. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que a taxa de reprovação é mais alta justamente no 6º ano (4,2%). No 7º, o número cai para 3,9%; no 8º, para 3%; e, por fim, no 9º ano, último do segmento, para 2%.
Para que a chegada ao 6º ano seja mais tranquila, é importante que família e escola atuem em conjunto. Enquanto a instituição de ensino deve adotar medidas que deixem as crianças mais à vontade — ouvi-las, tirar dúvidas, investir na educação socioemocional e promover atividades de adaptação —, os pais devem oferecer apoio, dialogar, continuar acompanhando a rotina de estudos e participar de encontros e reuniões.
• Do Ensino Fundamental para o Ensino Médio
Por fim, o agora adolescente chega ao ensino médio, última etapa da educação básica. Nela, encontra maior carga de estudos, a proximidade do vestibular e a necessidade de fazer escolhas — tudo isso em meio aos desafios da adolescência, que vão de transformações físicas à construção da própria identidade.
Essa transição apresenta riscos, inclusive, à frequência escolar. Segundo dados do Censo 2025, o abandono (quando o aluno está matriculado, mas deixa de comparecer às aulas) no 1º ano do ensino médio chega a 2,2% — a taxa, porém, registra queda nos últimos anos (em 2015, era de 8,7%). No ensino fundamental, o número é de 0,2% nos anos iniciais e 1% nos finais, também apresentando melhoria.
Nessa fase, é importante que as famílias equilibrem autonomia e acompanhamento. Estar presente, mas sem superproteger, permite que o adolescente desenvolva habilidades importantes como autoconfiança, responsabilidade e tomada de decisão. Ao mesmo tempo, é fundamental oferecer acolhimento e um ambiente de diálogo e escuta.
Valorizar cada conquista também faz diferença, assim como compreender que tropeços não significam fracasso. Claro que notas baixas sempre merecem atenção — contudo, sem alarmismo. Caso ocorram, é importante que as famílias mantenham a calma, conversem, busquem compreender a origem da dificuldade e trabalhem junto com a instituição de ensino.
As famílias também devem mostrar que, embora a escolha profissional se aproxime, a decisão não precisa ser tomada no 1º ano. O vestibular é um momento importante e que exige dedicação, mas não deve se transformar em uma fonte de pressão excessiva.
Novamente, escola e responsáveis devem atuar em conjunto. Oferecer orientação, acompanhar o desempenho e pensar, em parceria, nas melhores formas de enfrentar possíveis dificuldades, permite que o adolescente passe por esse período de forma mais tranquila e supere os desafios que se apresentem durante a jornada.
Parceria, diálogo e acolhimento
As mudanças fazem parte da vida e toda travessia apresenta desafios. Contudo, na infância e na adolescência, esses períodos podem ser suavizados quando os adultos oferecem acolhimento, diálogo e atenção.
Quando família e escola atuam em parceria, o estudante pode atravessar as transições com mais segurança — saindo delas com mais autonomia e confiança.

