Emoções impactam a aprendizagem. Será?

Emoções impactam a aprendizagem. Será?

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

 

Você já assistiu ao filme “Divertida Mente”? Caso não, o que está esperando? Você não se arrependerá. Mas em caso de resposta positiva, deve se lembrar do papel fundamental que as emoções tinham. No filme, a alegria, a raiva, o medo e o nojinho foram personificados para tornar tudo mais didático.

Mas será que as emoções têm realmente impacto no nosso desenvolvimento? Na nossa aprendizagem? É o que nós vamos ver a seguir.

Pesquisas têm revelado que a emoção tem influência substancial nos processos cognitivos em humanos, incluindo alguns diretamente ligados ao que tanto almejamos: engajamento. Veja: percepção, atenção, aprendizagem, memória, raciocínio e resolução de problemas.

A emoção, portanto, tem influência particularmente forte na atenção, modulando a seletividade da atenção e motivando a ação e o comportamento. Esse controle atencional e executivo está intimamente ligado aos processos de aprendizagem, já que as capacidades atencionais limitadas são mais bem focadas em informações relevantes. A emoção também facilita a codificação e ajuda na recuperação de informações de forma eficiente.

Mas, afinal, o que são emoções? Veja uma definição proposta por Panksepp (1998):

As emoções são os processos psiconeurais que influenciam no controle do vigor e na padronização das ações no fluxo dinâmico de intensos intercâmbios comportamentais entre os animais, bem como com certos objetos importantes para a sobrevivência. Portanto, cada emoção tem um “tom de sentimento” característico que é especialmente importante na codificação dos valores intrínsecos dessas interações, dependendo de sua probabilidade de promover ou impedir a sobrevivência (tanto no sentido “pessoal” imediato quanto no sentido “reprodutivo” de longo prazo). Sentimentos experienciais subjetivos surgem das interações de vários sistemas emocionais com os substratos cerebrais fundamentais do “eu”, que é importante na codificação de novas informações, bem como na recuperação de informações sobre eventos subsequentes e permitindo que os indivíduos generalizem novos eventos e tomem decisões de maneira eficiente.

Uma pesquisa realizada em 1998, por Larry Cahill e James McGaugh intitulada “Mechanisms of emotional arousaland lasting declarative memory” fez um teste muito simples, envolvendo imagens consideradas emocionais e imagens consideradas neutras, pessoas assistiram a esses filmes com tais imagens e foram submetidos a sessões de tomografias durante o processo. Ao final da pesquisa, os estudiosos concluíram, a partir de outros dados, que os participantes da pesquisa lembraram de muitos mais itens vistos no filme emocional, que no filme considerado neutro. Tudo isso só demonstra a importância da emoção na memória e na atenção.

Mas como aproveitar essa informação na prática?

1- Sempre pense em maneiras de contextualizar aquele conteúdo: através de situações reais ou fictícias, no dia-a-dia de um profissional, numa cena de filme.

2 – Varie as formas de abordar um mesmo conteúdo: vai falar sobre trigonometria? Que tal explorar as várias formas como esse conteúdo se aplica na nossa vida? Através de objetos, de uma ida à quadra de esportes ou na análise de imagem de uma escala/rampa?

3 – Atividades que valorizam a interação, como passeios a museus, rodas de conversa e criação, contribuem para um ambiente de aprendizagem mais rico e, consequentemente, mais atrativo emocionalmente, aumentando a motivação.

E aí, já pensou em como você pode aproveitar esses dados na sua prática?

Um super abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

Veja outros conteúdos

A vez da Educação 5.0

A vez da Educação 5.0

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Educação Inovadora na Editora Moderna.

O termo Educação 5.0 é uma evolução natural da educação 4.0, advinda da revolução industrialNa educação ganhou o termo ganhou força com abordagens inovadoras como as metodologias ativas, cultura maker que é porta de entrada para o trabalho com as tecnologias que podem ir desde a programação, robótica com materiais estruturados e ou não estruturados, IoT (internet das coisas), entre outros.  

As mudanças sempre causam uma certa incerteza, principalmente quando falamos de Educação já que muitos processos estão condicionados a infraestrutura, conectividade, tecnologias, mas quero desmitificar que não é bem assim!  

Para inovar, podemos e devemos começar de diversas maneiras, levando o simples para as aulas remotas e ou híbridas, inovando e flexibilizando o currículo ao trazer elementos “mão na massa”, abordagens ativas e suas diferentes modalidades para dentro do processo de ensino e aprendizagem.   

A educação 5.0 está relacionada aos anseios da sociedade.  O conceito surgiu no Japão em 2016, cujo objetivo principal foi utilizar a tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas, com a preocupação de trabalhar as habilidades socioemocionais ao possibilitar que recursos tecnológicos como a robótica e a inteligência artificial tão presentes no nosso dia a dia possam ser integrados de forma mais humanizada. 

Parece algo muito abstrato e distante de nós, mas na verdade, está mais presente do que imaginamos! Basta analisarmos nossa relação com serviços diversosum exemplo é o banco, alguns com inteligência artificial que vem crescendo e aprendendo diariamente conosco. No entanto, que necessita ser vivenciado com cautela e com objetivos claros, já que nada substitui a vivência e o contato com o outro.   

Outro exemplo prático do uso da tecnologia pensada no bem-estar social, são as cidades inteligentes. Elas usam tecnologia para aumentar a qualidade, desempenho, interatividade de serviços urbanos, pensar em sustentabilidade e economia circular. Nessas cidades, tudo é planejado e conectado e as políticas públicas podem identificar problemas com maior velocidade e mais eficiência. O cidadão sai de papel de passivo para ativo, contribuindo com informações e resoluções de problemas. 

 

Levando para a sala de aula

 

A Educação 5.0, passa por todos os pilares da Educação 4.0, com o acréscimo de olhar para a aprendizagem ativa, colaborativa, em que o professor(a) é o mediador(a) de conhecimento e o estudante se torna o centro do processo de aprendizagem ao exercer o protagonismo juvenil, com o pensamento empreendedor e na busca constante de resoluções colaborativa de problemas que estejam conectadas a habilidades socioemocionais. 

A escola tem modificado o seu papel, de passiva para ativa e isso envolve não somente a comunidade escolar, mas o território educativo, com base no estímulo e no desenvolvimento de competências, habilidades e da flexibilização do currículo, através do exercício da: 

  • Colaboração 
  • Pensamento crítico 
  • Comunicação 
  • Criatividade 
  • Adaptabilidade 
  • Persuasão 
  • Inteligência Emocional 
  • Empatia 
  • Resiliência 
  • Relacionamento interpessoal 
  • Gerenciamento de conflitos 
  • Resolução de problemas reais 
  • Amabilidade 
  • Protagonismo juvenil Inserção de tecnologias sociais 

desenvolvimento da Educação 5.0 está relacionada a atitudes, em que o território educativo pode  se desenvolver através do uso de metodologias ativas e de modalidades que façam parte da realidade do projeto politico pedagógico como projetos integradores em que os estudantes passam a contribuir na identificação e solução de problemas e na aplicação de problemas usando as diferentes áreas de conhecimento, mas tendo a oportunidade de ao mesmo tempo vivenciar as habilidades emocionais e a tecnologia como propulsora ao processo de ensino de aprendizagem. 

Apesar do termo assustar ele deve estar presente no cotidiano das unidades escolares, prezando pela personalização do ensino e pela equidade! 

Um abraço, 

Débora

Veja outros conteúdos

“Tá de brincadeira?” A importância da brincadeira para a aprendizagem

“Tá de brincadeira?” A importância da brincadeira para a aprendizagem

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Brincar: correr, pular, ser desafiado, gritar, sorrir, chorar, explorar, cantar, investigar, negociar, movimentar, imaginar, ressignificar, aprender.

Você já havia pensado na quantidade de ações envoltas no simples ato de… brincar? Brincadeiras envolvem alto nível de engajamento e motivação, possuem processos imaginativos, não-literais, são voluntárias, podem ser livres de regras externas, mas compostas de negociações e acordos entre quem brinca, definindo limites ou não. 

Recentemente, publiquei alguns dados de pesquisas sobre brincadeiras lá no @seligaprof e diversas contribuições e reflexões de professores foram surgindo sobre o tema. Por isso, trago a discussão também para esse espaço, para que possamos formar uma teia de compartilhamento de pesquisas, ideias e experiências.

Há estudos que relacionam diretamente o brincar à alfabetização e à linguagem, assim como à matemática. Um exemplo são as brincadeiras indicadas para crianças de 4 anos de idade – em forma de jogos de rimas, listas de compras, e “leitura” de livros de história para animais de pelúcia –, que predizem prontidão para linguagem e para leitura.

 

Pesquisas também sugerem que as crianças demonstram seus maiores avanços em habilidades linguísticas durante brincadeiras, e que essas habilidades estão fortemente relacionadas à alfabetização emergente.

Por fim, uma revisão de 12 estudos sobre a alfabetização e o brincar permitiu aos pesquisadores Roskos e Christie concluir que “brincar proporciona contextos que promovem atividades, habilidades e estratégias de alfabetização… e pode proporcionar oportunidades para o ensino e a aprendizagem da alfabetização”.

Brincar e aprender de forma lúdica também apoiam o desenvolvimento da matemática. Os pesquisadores Seo e Ginsburg, em uma experiência naturalista, constataram que crianças de 4 e 5 anos de idade constroem conceitos matemáticos fundamentais durante o livre brincar.

Independentemente da classe social da criança, três categorias de atividades matemáticas foram amplamente prevalentes: brincar com padrões e formas – exploração de padrões e formas espaciais –, jogos para o desenvolvimento do conceito de grandeza – declaração de grandeza ou comparação de dois ou mais itens para avaliar a grandeza relativa –, e jogos numéricos – raciocínio numérico ou quantitativo. Em 46% das vezes, o brincar livre na infância contém as raízes da aprendizagem matemática.

Desse modo, o brincar é uma atividade fundamental não apenas para a escola e a aprendizagem de modo geral, mas como um preparo para o mundo além da sala de aula: estão envoltas nas brincadeiras uma série de elementos como a colaboração, a criatividade, a autoconfiança, a comunicação, para além da construção de domínios em conteúdos específicos, quando falamos em brincadeiras estruturadas.

Para finalizar, convido você a refletir com Jean Piaget sobre sua célebre frase: “brincar é o trabalho da infância”.

Um super abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

 

Fontes e indicações de leitura:

Piaget, J. Play, Dreams, andImitation in Childhood. Gattegno C, Hodgson FN, trans. New York, NY: W. W. Norton & compagny; 1962.

https://www.enciclopedia-crianca.com/brincar/segundo-especialistas/por-que-brincar-aprender

https://www.enciclopedia-crianca.com/brincar/segundo-especialistas/aprender-por-meio-da-brincadeira 

Roskos K, Christie J. Examining the play-literacy interface: A critical review and future directions. In: Zigler EF, Singer DG, Bishop-Josef SJ, eds. Children’s play: Roots of reading. 1st ed. Washington D.C.; Zero to Three Press; 2004:116.

Seo KH., Ginsburg HP. What is developmentally appropriate in early childhood mathematics education? Lessons from new research. In: Clements DH, Sarama J, DiBiase AM, eds. Engaging Young Children in Mathematics: Standards for Early Childhood Mathematics Education. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2003:91–104.

Veja outros conteúdos

Como trabalhar o empreendedorismo nas aulas

Como trabalhar o empreendedorismo nas aulas

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Educação Inovadora na Editora Moderna.

A escola possui um papel essencial de ser ativa e proporcionar aos estudantes novas concepções e vivências de aprendizagem. 

O tema do empreendedorismo na educação vem ganhando força, porque esse processo que é acompanhado de atitude, faz com que nossos estudantes tenham a oportunidade de desenvolver competências e habilidades, além de estratégias de ideias, sonhos, relacionado ao seu projeto de vida. 

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) prevê uma série de competências para a Educação Empreendedora. Ao analisar as áreas do conhecimento é possível localizar referências e habilidades relacionadas a atitude empreendedora como o trabalho a partir da colaboração, resolução de problemas reais que beneficiam o social e se utilizam de recursos acessíveis.  

A escola é a porta de entrada para trabalhar com o empreendedorismo que tem o foco na intencionalidade, transdisciplinariedade e o protagonismo juvenil dos estudantes, associado as metodologias ativas que tem o foco tirar o aluno da passividade e trazê-lo ao centro do processo cognitivo.  

A educação empreendedora pode ser trabalhada em qualquer etapa da escolarização desde os pequenos aos jovens estudantes. E é um dos caminhos para o trabalho a partir de temas integradores, transversais e integrais, sem fragmentações de conhecimento ao permitir que os estudantes teçam reflexões, análises e resolvam problemas, que podem ser da unidade escolar, do bairro e ou que envolvam o território educativo.  

 

Intencionalidade

 

Para explorar a educação empreendedora é importante trabalhar a partir da intencionalidade, resolver um desafio, pensar em questões que os estudantes tenham que refletir sobre estratégias para resolver e que permitam desenvolver o senso crítico, a autonomia e a ter ideias sustentáveis. 

Um por exemplo disso, é pensar sob a ótica da questão ambiental. Por exemplo, no trabalho de robótica com sucata que idealizei junto aos estudantes da Emef Almirante Ary Parreiras, teve o viés empreendedor, voltado a pensar na sustentabilidade do trabalho, em que a solução se deu através de parceria e da venda de materiais recicláveis a empresas  e repasse de verbas a APM (Associação de Pais e Mestres) para torna-lo sustentável na unidade escolar.  

 Antes de criar a estratégia para sensibilizar os estudantes, eles foram desafiados a pensar, pesquisar, conhecer sobre reciclagem, sustentabilidade, descarte de materiais e o ciclo de vida de materiais e produtos (da fabricação ao descarte), realizar o reconhecimento da comunidade e propor soluções em que uma das estratégias utilizadas foi o designer thinking que consiste em criar uma chuva de ideias para pensar soluções, chegando na proposta da parceria. 

E justamente aqui que nasce a intencionalidade e a educação empreendedora, ao permitir que os estudantes de maneira coletiva realizem uma imersão sobre o tema abordado, buscando ideias inovadoras para implementar.  

Transdicisplinariedade

 

O nosso cérebro é dinâmico e não segrega conhecimentos, por isso trabalhar a partir da luz da transdisciplinariedade é essencial para incentivarmos aos estudantes a lançarem o conhecimento sobre características múltiplas, desenvolver diversas habilidades e serem criativos.  

A transdicisciplinariedade pode ser trabalhada a partir de um eixo integrador que pode nascer de uma área do conhecimento e abarcar as demais. Um exemplo é quando pensamos nas grandes construções da civilização, não é apenas um tema relacionado a história, envolve outros conhecimentos, como: artes, ciências, filosofia, matemática, linguagens e tantas outras para explicar períodos. É o estudante tem a oportunidade de explorar um mix de conhecimentos, criando associações e permitindo conexões, em que precisa do outro para realizar o seu argumento, sendo uma concepção integral.   

Ao fazer isso o estudante está mobilizando diversos conhecimentos, assegurando suas experiências, compartilhando e construindo argumentos para a vida cidadã.  

 

Protagonismo

 

Desenvolver o protagonismo é um dos maiores desejos da educação moderna e a educação empreendedora pode contribuir com este viés. Ao permitir que os estudantes trabalhem encontrando soluções e com projetos estamos trabalhando com as metodologias ativas e suas modalidades. 

O estudante deixa de ser passivo para ser ativo, constrói o seu conhecimento, toma decisões, expõe argumentos e tornam-se empreendedores. O papel do professor é de mediar este processo e oportunizar a desafiá-lo a encontrar soluções e impasses. 

O desenvolvimento destas características nos estudantes consiste em permitir atitudes, questionar processos, que sejam curadores de informações. Ao invés do professor iniciar a aula questionando o que estudante sabe sobre determinado assunto, deve questioná-lo o que conhecem sobre ele, isso é ter altas expectativas a todos os estudantes e ouvi-los. 

Um abraço, 

Débora

Veja outros conteúdos

EDUCAÇÃO INOVADORA 2021 | #6 Educação inclusiva

EDUCAÇÃO INOVADORA 2021 | #6 Educação inclusiva

Vamos falar sobre educação inclusiva? Na live deste mês do Ciclo de Webinars Educação Inovadora, convidamos Telma Pantano para falar sobre esse tema tão importante para toda a comunidade escolar. Vamos juntos!

Veja outros conteúdos

EDUCAÇÃO INOVADORA 2021 | #5 Dificuldades matemáticas dos alunos: como revertê-las?​

EDUCAÇÃO INOVADORA 2021 | #5 Dificuldades matemáticas dos alunos: como revertê-las?​

Preparados para mais uma live do Ciclo de Webinars Educação Inovadora? Desta vez, convidamos Valdir Silva para falar sobre um tema super importante: as dificuldades matemáticas dos alunos e como podemos revertê-las. Fique ligado!

Veja outros conteúdos

EDUCAÇÃO INOVADORA 2021 | #4 Aprendizagem colaborativa: como tornar uma prática na escola e na vida

EDUCAÇÃO INOVADORA 2021 | #4 Aprendizagem colaborativa: como tornar uma prática na escola e na vida

Fernanda Alves, da Nuvem Mestre, é a convidada de hoje do nosso bate-papo do Ciclo de Webinars Educação Inovadora. Ela irá falar sobre como praticar a aprendizagem colaborativa na escola e no dia a dia. Confira!

Veja outros conteúdos

Para gestores: como apoiar os professores em momentos de crise?

Para gestores: como apoiar os professores em momentos de crise?

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Os anos de 2020 e 2021 certamente foram e serão por muito tempo os anos mais desafiadores de nossas carreiras. Estivemos envolvidos em mudanças que transformaram as nossas relações sociais, nossa vida pessoal e profissional. Lembro do turbilhão que foi o ano de 2020 quando as escolas começaram a fechar: eram professores de todo o país me procurando para pedir socorro, montar um plano estratégico, planejar com eficiência e adaptação.

Mais de um ano depois, o que encontramos é um cenário em que os estudantes estão cansados e professores tentando processar toda essa informação. Surgiram até novos conceitos como “fadiga de zoom”, que é o cansaço provocado pelo tempo de tela, em reuniões ou aulas online, por exemplo, em que ficamos o tempo todo nos visualizando e sendo vistos. Dentro deste panorama, sabemos de toda a movimentação que a escola como um todo precisou realizar, em maior ou menor grau. Muitos professores tiveram de revolucionar suas práticas, planejando aulas em um formato que nunca pensaram executar e que claro, não foram formados para isso.

Esse caráter de emergência abateu todos nós: pais, famílias, estudantes, professores, coordenadores, orientadores e toda a comunidade escolar. É nesse sentido, que algumas escolas e eventos em todo o mundo têm pensado em ações que apoiem não somente os estudantes, mas também os docentes, que têm se empenhado em realizar o melhor, com as ferramentas que têm acesso. Por isso, trago algumas ideias bastante simples, mas efetivas no apoio e construção de uma cultura institucional que valoriza a saúde mental de seus colaboradores, que apoia, acolhe e reserva momentos para deixar essa comunicação clara a todos: a de que um de seus pilares é o da troca, do suporte e apoio.

A escola Arcadia High School de Los Angeles criou questionários para conhecer as demandas dos professores: que dificuldades estavam enfrentando e disponibilizaram programas para eles, baseado nos seus interesses. Assim, chamaram professor de ioga uma vez por semana na escola, bem como psicólogos, especialistas em atenção plena, psicologia positiva, etc. Tudo baseado nos interesses dos professores e não numa decisão unilateral da escola.

Na escola Fall-Hamilton Elementary, em Nashville, criaram uma estratégia chamada “tap-in tap-out” que é um código que o professor (quando sente que as coisas estão fugindo de seu controle) envia para outro colega ou coordenador, que vai até a sua sala substituí-lo por 5 minutos para respirar e voltar aos trilhos. A ideia é: conte com seu colega.

Muitas escolas em todo o mundo estão fazendo: checkins matinais. Aquele encontro de toda a equipe, para tomar um café, receber uma mensagem carinhosa, compartilhar um sentimento, estreitar os laços. É o momento de promover união e apoio a todos, trocar ideias, receber e dar sugestões e mostrar-se atento (a) à equipe.

A construção de atitudes simples como essas, que podem ser adaptadas para cada realidade, é fundamental para construção de um ambiente escolar acolhedor, que preza pela qualidade e excelência do que produz, valorizando pessoas. E esses momentos de troca e apoio se valem entre professor-aluno, professor-professor, professor-gestores e suas trocas mútuas, pois também os gestores precisam de apoio e compreensão. É por isso que uma cultura escolar saudável, tem em sua pauta o diálogo mútuo entre todos os envolvidos.

Um grande abraço digital,

Profa. Emilly Fidelix | @seligaprof