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 Tonia Casarin

Tonia Casarin

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Educação Socioemocional

A Aprendizagem socioemocional está cada mais presente no ambiente escolar. Nem sempre construída de forma efetiva, mas já reconhecida como um critério fundamental e com impacto direto do desempenho acadêmico dos alunos. Inúmeros são os benefícios da Educação Socioemocional, o mais expressivo com certeza é a melhoria nos índices acadêmicos como afirmam diferentes pesquisas. Outro dado relevante é o desenvolvimento do autocontrole, necessário em uma época onde os noticiários nos mostram o crescimento da violência dos alunos em relação aos educadores. Além de mostrar a redução do conflito entre os alunos e sua interferência na qualidade de vida e saúde mental de todos no ambiente escolar. Porém, existe um fator a longo prazo ainda pouco discutido: o impacto das competências socioemocionais do desenvolvimento econômico. Quer saber mais, a autora Tonia Casarin nos ajuda nessa missão!

O estudo e aplicação do desenvolvimento das competências socioemocionais nas escolas é decorrente de pesquisas acadêmicas em diversas áreas do conhecimento: pedagogia, andragogia, neurociência, psicologia, educação, economia e outras ciências. Além disso, experiências atuais demonstram melhores resultados acadêmicos e sociais para crianças cujas competências socioemocionais foram mais bem desenvolvidas. Obviamente, as competências cognitivas e acadêmicas continuar sendo o cerne da educação, que passa a incorporar, de forma intencional aspectos socioemocionais na educação de alunos.  Um exemplo ocorre quando alunos desenvolvem competências socioemocionais, eles são mais motivados a participar da vida escolar e mais comprometidos.
Como outros resultados desses estudos e experiências, temos conclusões que apontam que o trabalho com as essas competências contribui para a redução do abandono escolar e para a melhoria do desempenho acadêmico, e ainda ressalta a escola como um espaço seguro para estimular o desenvolvimento socioemocional dos alunos, tornando-a central no papel de formação integral dos seus alunos. Conforme o CASEL (The Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning), a aprendizagem de habilidades socioemocionais é uma das estratégias mais significativas para promover sucesso acadêmico e reformas escolares eficazes.
Dados mostram que a aprendizagem socioemocional melhora resultados acadêmicos, ajuda alunos a desenvolver autocontrole, melhora as relações da escola com a comunidade, reduz os conflitos entre os alunos e o bullying, ajuda os professores a manter o controle da sala de aula e ajuda os jovens a serem mais saudáveis e bem sucedidos na escola e na vida.

 
 

Dentre algumas implicações de pesquisas, uma das mais interessantes sobre crianças que participam de programas de aprendizagem socioemocional em escolas, são os estudos longitudinais, aqueles que acompanham as crianças por longo período de tempo. Esses estudos comprovam impactos em todos os anos escolares, contextos sociais e tipos de escolas.
Os resultados mostram que 23% dos alunos apresentam de melhoria em habilidades socioemocionais, 9% de melhoria em atitudes frente a escola, família e outras pessoas de seu convívio, 9% de melhoria em comportamento social e 11% melhoria em testes acadêmicos. Esses benefícios são  acompanhados de 9% a menos de problemas de comportamento, e 10% de redução em distúrbios emocionais. Além disso, os pesquisadores identificaram a redução de fatores de risco em várias áreas da vida de uma criança, envolvimento em problemas como violência, delinquência, abuso de substâncias químicas ou a reprovação escolar.
Um recente estudo de 2015 da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) faz um panorama entre dezoito países sobre o impacto das competências socioemocionais do desenvolvimento econômico de diferentes populações. As correlações indicam que, em todos os países, habilidades socioemocionais se relacionam com níveis de  renda e desemprego, graduação, obesidade, depressão, problemas de comportamento e conduta, bullying, comportamentos vitimizantes, além de indicadores de qualidades de vida e saúde física.

 

Outra argumentação relevante é o estudo da área da economia. Ele mostra que o impacto econômico longitudinal indica, em média, uma economia de 11 dólares para cada um dólar investido em educação e aprendizagem socioemocional na infância e na adolescência.
Portanto, a importância de aumentar a capacidade dos alunos no longo prazo de lidar com diversas situações e protegê-los de riscos é central no desenho de um programa de habilidades para a vida. Não somente esses indivíduos irão colher os resultados para sua vida, como o país será beneficiado como um todo, como indicam os estudos.

Eu sou Tonia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University (NY). Escrevo neste espaço quinzenalmente sobre educação socioemocional e educação integral, assunto fundamental na pauta das escolas e das famílias.

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