IA na educação: como famílias e escolas podem promover o uso saudável da tecnologia pelos estudantes

A inteligência artificial (IA) chegou à educação — e ao mercado de trabalho — para ficar. A ferramenta permite automatizar tarefas burocráticas, otimizar processos e personalizar o ensino, criando trilhas específicas para cada estudante. Contudo, para que realmente seja benéfica, é preciso que seja utilizada como apoio, não como substituta do pensamento e do raciocínio humano. Além disso, é fundamental que escolas e famílias preparem os alunos para um uso ético, crítico e responsável da tecnologia. 

Isso significa, por exemplo, ensinar crianças e jovens sobre o funcionamento da IA (deixando claro que ela pode ser enviesada e apresentar informações incorretas) e explicar que o recurso pode ajudar a fazer pesquisas, mas não deve ser utilizado para a realização de tarefas escolares. 

Escola e família juntas: como formar jovens críticos e capazes de usar a IA com responsabilidade 

A formação para o uso de inteligência artificial exige que família e escola trabalhem juntas. Tanto em casa quanto na sala de aula, é importante que crianças e jovens tenham exemplos positivos do uso da ferramenta, além de orientações claras sobre seus riscos e potencialidades. 

No caso das escolas, é fundamental investir em educação digital e midiática. Isso significa ter um currículo que aborde o funcionamento de algoritmos, possíveis vieses da inteligência artificial (que pode reproduzir preconceitos a depender do treinamento da máquina), desinformação, diferença entre fato e opinião, além de discussões sobre privacidade e uso ético das ferramentas digitais. 

Além disso, é importante que a criança utilize a tecnologia de forma ativa: ou seja, que aprenda que, com as novas ferramentas, é possível pensar em soluções criativas para os desafios contemporâneos. Isso significa formar produtores, não meros receptores de tecnologia. Para isso, é possível oferecer aulas de programação e criar projetos em que os estudantes usem as ferramentas digitais para resolver problemas. 

Para tornar essa educação possível, instituições de ensino devem investir em formação docente. Oferecer cursos, aprimoramentos, debates e oficinas sobre educação digital para os professores permite que esses profissionais incorporem as novas tecnologias ao cotidiano escolar com intencionalidade pedagógica. 

Já no caso de pais e responsáveis, três fatores ajudam na formação para uso da inteligência artificial. 

  • Dar o exemplo: na educação, a ação ensina mais do que o discurso. Portanto, para que a criança use a tecnologia de forma responsável e equilibrada, é fundamental que, em casa, veja os pais ou responsáveis fazendo o mesmo. Isso inclui mostrar formas saudáveis de usar a IA (para fins de pesquisa e checando informações), reduzir o tempo de tela dos adultos e até mesmo ter uma rotina de leitura de livros — o que ajuda a mostrar que, embora a tecnologia possa ser uma grande aliada, não substitui a leitura de obras literárias e a consulta a outras fontes de informação. 
  • Controlar e mediar o uso das ferramentas digitais: o tempo de tela de crianças e adolescentes deve ter um limite diário estabelecido pelos pais. Hoje, sabe-se que a exposição excessiva aos dispositivos digitais pode impactar negativamente a aprendizagem. Por isso, tenha regras claras (sempre estabelecidas com diálogo), inclusive sobre o uso específico da IA — que, como dito anteriormente, não deve ser utilizada para realização de tarefas de casa. Além disso, por segurança, é fundamental fazer a mediação do uso da tecnologia: pais e responsáveis devem saber quais aplicativos e ferramentas os filhos utilizam no celular ou computador. O ganho de autonomia deve ocorrer de forma gradual, respeitando a idade e maturidade da criança ou adolescente. 
  • Dialogar: converse com seu filho sobre inteligência artificial. Pergunte o que aprendeu na escola, fale sobre riscos, explique que ele não deve compartilhar dados sensíveis com a máquina e nem utilizá-la como “amiga” ou “psicóloga”.  

Se a discussão sobre inteligência artificial ocorre tanto em casa quanto na escola, o preparo do estudante para um uso ético e responsável é muito mais eficaz. Assim, é possível formar cidadãos digitais com senso crítico, prontos para explorar a tecnologia sem substituir o próprio pensamento e a criatividade.