Emoções impactam a aprendizagem. Será?

Emoções impactam a aprendizagem. Será?

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

 

Você já assistiu ao filme “Divertida Mente”? Caso não, o que está esperando? Você não se arrependerá. Mas em caso de resposta positiva, deve se lembrar do papel fundamental que as emoções tinham. No filme, a alegria, a raiva, o medo e o nojinho foram personificados para tornar tudo mais didático.

Mas será que as emoções têm realmente impacto no nosso desenvolvimento? Na nossa aprendizagem? É o que nós vamos ver a seguir.

Pesquisas têm revelado que a emoção tem influência substancial nos processos cognitivos em humanos, incluindo alguns diretamente ligados ao que tanto almejamos: engajamento. Veja: percepção, atenção, aprendizagem, memória, raciocínio e resolução de problemas.

A emoção, portanto, tem influência particularmente forte na atenção, modulando a seletividade da atenção e motivando a ação e o comportamento. Esse controle atencional e executivo está intimamente ligado aos processos de aprendizagem, já que as capacidades atencionais limitadas são mais bem focadas em informações relevantes. A emoção também facilita a codificação e ajuda na recuperação de informações de forma eficiente.

Mas, afinal, o que são emoções? Veja uma definição proposta por Panksepp (1998):

As emoções são os processos psiconeurais que influenciam no controle do vigor e na padronização das ações no fluxo dinâmico de intensos intercâmbios comportamentais entre os animais, bem como com certos objetos importantes para a sobrevivência. Portanto, cada emoção tem um “tom de sentimento” característico que é especialmente importante na codificação dos valores intrínsecos dessas interações, dependendo de sua probabilidade de promover ou impedir a sobrevivência (tanto no sentido “pessoal” imediato quanto no sentido “reprodutivo” de longo prazo). Sentimentos experienciais subjetivos surgem das interações de vários sistemas emocionais com os substratos cerebrais fundamentais do “eu”, que é importante na codificação de novas informações, bem como na recuperação de informações sobre eventos subsequentes e permitindo que os indivíduos generalizem novos eventos e tomem decisões de maneira eficiente.

Uma pesquisa realizada em 1998, por Larry Cahill e James McGaugh intitulada “Mechanisms of emotional arousaland lasting declarative memory” fez um teste muito simples, envolvendo imagens consideradas emocionais e imagens consideradas neutras, pessoas assistiram a esses filmes com tais imagens e foram submetidos a sessões de tomografias durante o processo. Ao final da pesquisa, os estudiosos concluíram, a partir de outros dados, que os participantes da pesquisa lembraram de muitos mais itens vistos no filme emocional, que no filme considerado neutro. Tudo isso só demonstra a importância da emoção na memória e na atenção.

Mas como aproveitar essa informação na prática?

1- Sempre pense em maneiras de contextualizar aquele conteúdo: através de situações reais ou fictícias, no dia-a-dia de um profissional, numa cena de filme.

2 – Varie as formas de abordar um mesmo conteúdo: vai falar sobre trigonometria? Que tal explorar as várias formas como esse conteúdo se aplica na nossa vida? Através de objetos, de uma ida à quadra de esportes ou na análise de imagem de uma escala/rampa?

3 – Atividades que valorizam a interação, como passeios a museus, rodas de conversa e criação, contribuem para um ambiente de aprendizagem mais rico e, consequentemente, mais atrativo emocionalmente, aumentando a motivação.

E aí, já pensou em como você pode aproveitar esses dados na sua prática?

Um super abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

Veja outros conteúdos

A vez da Educação 5.0

A vez da Educação 5.0

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Educação Inovadora na Editora Moderna.

O termo Educação 5.0 é uma evolução natural da educação 4.0, advinda da revolução industrialNa educação ganhou o termo ganhou força com abordagens inovadoras como as metodologias ativas, cultura maker que é porta de entrada para o trabalho com as tecnologias que podem ir desde a programação, robótica com materiais estruturados e ou não estruturados, IoT (internet das coisas), entre outros.  

As mudanças sempre causam uma certa incerteza, principalmente quando falamos de Educação já que muitos processos estão condicionados a infraestrutura, conectividade, tecnologias, mas quero desmitificar que não é bem assim!  

Para inovar, podemos e devemos começar de diversas maneiras, levando o simples para as aulas remotas e ou híbridas, inovando e flexibilizando o currículo ao trazer elementos “mão na massa”, abordagens ativas e suas diferentes modalidades para dentro do processo de ensino e aprendizagem.   

A educação 5.0 está relacionada aos anseios da sociedade.  O conceito surgiu no Japão em 2016, cujo objetivo principal foi utilizar a tecnologia para melhorar a qualidade de vida das pessoas, com a preocupação de trabalhar as habilidades socioemocionais ao possibilitar que recursos tecnológicos como a robótica e a inteligência artificial tão presentes no nosso dia a dia possam ser integrados de forma mais humanizada. 

Parece algo muito abstrato e distante de nós, mas na verdade, está mais presente do que imaginamos! Basta analisarmos nossa relação com serviços diversosum exemplo é o banco, alguns com inteligência artificial que vem crescendo e aprendendo diariamente conosco. No entanto, que necessita ser vivenciado com cautela e com objetivos claros, já que nada substitui a vivência e o contato com o outro.   

Outro exemplo prático do uso da tecnologia pensada no bem-estar social, são as cidades inteligentes. Elas usam tecnologia para aumentar a qualidade, desempenho, interatividade de serviços urbanos, pensar em sustentabilidade e economia circular. Nessas cidades, tudo é planejado e conectado e as políticas públicas podem identificar problemas com maior velocidade e mais eficiência. O cidadão sai de papel de passivo para ativo, contribuindo com informações e resoluções de problemas. 

 

Levando para a sala de aula

 

A Educação 5.0, passa por todos os pilares da Educação 4.0, com o acréscimo de olhar para a aprendizagem ativa, colaborativa, em que o professor(a) é o mediador(a) de conhecimento e o estudante se torna o centro do processo de aprendizagem ao exercer o protagonismo juvenil, com o pensamento empreendedor e na busca constante de resoluções colaborativa de problemas que estejam conectadas a habilidades socioemocionais. 

A escola tem modificado o seu papel, de passiva para ativa e isso envolve não somente a comunidade escolar, mas o território educativo, com base no estímulo e no desenvolvimento de competências, habilidades e da flexibilização do currículo, através do exercício da: 

  • Colaboração 
  • Pensamento crítico 
  • Comunicação 
  • Criatividade 
  • Adaptabilidade 
  • Persuasão 
  • Inteligência Emocional 
  • Empatia 
  • Resiliência 
  • Relacionamento interpessoal 
  • Gerenciamento de conflitos 
  • Resolução de problemas reais 
  • Amabilidade 
  • Protagonismo juvenil Inserção de tecnologias sociais 

desenvolvimento da Educação 5.0 está relacionada a atitudes, em que o território educativo pode  se desenvolver através do uso de metodologias ativas e de modalidades que façam parte da realidade do projeto politico pedagógico como projetos integradores em que os estudantes passam a contribuir na identificação e solução de problemas e na aplicação de problemas usando as diferentes áreas de conhecimento, mas tendo a oportunidade de ao mesmo tempo vivenciar as habilidades emocionais e a tecnologia como propulsora ao processo de ensino de aprendizagem. 

Apesar do termo assustar ele deve estar presente no cotidiano das unidades escolares, prezando pela personalização do ensino e pela equidade! 

Um abraço, 

Débora

Veja outros conteúdos

“Tá de brincadeira?” A importância da brincadeira para a aprendizagem

“Tá de brincadeira?” A importância da brincadeira para a aprendizagem

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Brincar: correr, pular, ser desafiado, gritar, sorrir, chorar, explorar, cantar, investigar, negociar, movimentar, imaginar, ressignificar, aprender.

Você já havia pensado na quantidade de ações envoltas no simples ato de… brincar? Brincadeiras envolvem alto nível de engajamento e motivação, possuem processos imaginativos, não-literais, são voluntárias, podem ser livres de regras externas, mas compostas de negociações e acordos entre quem brinca, definindo limites ou não. 

Recentemente, publiquei alguns dados de pesquisas sobre brincadeiras lá no @seligaprof e diversas contribuições e reflexões de professores foram surgindo sobre o tema. Por isso, trago a discussão também para esse espaço, para que possamos formar uma teia de compartilhamento de pesquisas, ideias e experiências.

Há estudos que relacionam diretamente o brincar à alfabetização e à linguagem, assim como à matemática. Um exemplo são as brincadeiras indicadas para crianças de 4 anos de idade – em forma de jogos de rimas, listas de compras, e “leitura” de livros de história para animais de pelúcia –, que predizem prontidão para linguagem e para leitura.

 

Pesquisas também sugerem que as crianças demonstram seus maiores avanços em habilidades linguísticas durante brincadeiras, e que essas habilidades estão fortemente relacionadas à alfabetização emergente.

Por fim, uma revisão de 12 estudos sobre a alfabetização e o brincar permitiu aos pesquisadores Roskos e Christie concluir que “brincar proporciona contextos que promovem atividades, habilidades e estratégias de alfabetização… e pode proporcionar oportunidades para o ensino e a aprendizagem da alfabetização”.

Brincar e aprender de forma lúdica também apoiam o desenvolvimento da matemática. Os pesquisadores Seo e Ginsburg, em uma experiência naturalista, constataram que crianças de 4 e 5 anos de idade constroem conceitos matemáticos fundamentais durante o livre brincar.

Independentemente da classe social da criança, três categorias de atividades matemáticas foram amplamente prevalentes: brincar com padrões e formas – exploração de padrões e formas espaciais –, jogos para o desenvolvimento do conceito de grandeza – declaração de grandeza ou comparação de dois ou mais itens para avaliar a grandeza relativa –, e jogos numéricos – raciocínio numérico ou quantitativo. Em 46% das vezes, o brincar livre na infância contém as raízes da aprendizagem matemática.

Desse modo, o brincar é uma atividade fundamental não apenas para a escola e a aprendizagem de modo geral, mas como um preparo para o mundo além da sala de aula: estão envoltas nas brincadeiras uma série de elementos como a colaboração, a criatividade, a autoconfiança, a comunicação, para além da construção de domínios em conteúdos específicos, quando falamos em brincadeiras estruturadas.

Para finalizar, convido você a refletir com Jean Piaget sobre sua célebre frase: “brincar é o trabalho da infância”.

Um super abraço digital,

Prof. Emilly Fidelix | @seligaprof

 

Fontes e indicações de leitura:

Piaget, J. Play, Dreams, andImitation in Childhood. Gattegno C, Hodgson FN, trans. New York, NY: W. W. Norton & compagny; 1962.

https://www.enciclopedia-crianca.com/brincar/segundo-especialistas/por-que-brincar-aprender

https://www.enciclopedia-crianca.com/brincar/segundo-especialistas/aprender-por-meio-da-brincadeira 

Roskos K, Christie J. Examining the play-literacy interface: A critical review and future directions. In: Zigler EF, Singer DG, Bishop-Josef SJ, eds. Children’s play: Roots of reading. 1st ed. Washington D.C.; Zero to Three Press; 2004:116.

Seo KH., Ginsburg HP. What is developmentally appropriate in early childhood mathematics education? Lessons from new research. In: Clements DH, Sarama J, DiBiase AM, eds. Engaging Young Children in Mathematics: Standards for Early Childhood Mathematics Education. Mahwah, NJ: Lawrence Erlbaum Associates, 2003:91–104.

Veja outros conteúdos

Como trabalhar o empreendedorismo nas aulas

Como trabalhar o empreendedorismo nas aulas

Débora Garofalo

Débora Garofalo

Débora Garofalo é formada em Letras e Pedagogia, com especialização em Língua Portuguesa pela Unicamp, Mestra em Educação pela PUC-SP e FabLearn Fellow, Columbia, EUA. Professora há 16 anos da rede pública de SP, sendo idealizadora do trabalho de Robótica com Sucata que se tornou uma política pública. Atualmente é Coordenadora do Centro de Inovação da Secretaria Estadual de Educação do Estado de São Paulo e colunista do blog Redes na coluna Educação Inovadora na Editora Moderna.

A escola possui um papel essencial de ser ativa e proporcionar aos estudantes novas concepções e vivências de aprendizagem. 

O tema do empreendedorismo na educação vem ganhando força, porque esse processo que é acompanhado de atitude, faz com que nossos estudantes tenham a oportunidade de desenvolver competências e habilidades, além de estratégias de ideias, sonhos, relacionado ao seu projeto de vida. 

A Base Nacional Curricular Comum (BNCC) prevê uma série de competências para a Educação Empreendedora. Ao analisar as áreas do conhecimento é possível localizar referências e habilidades relacionadas a atitude empreendedora como o trabalho a partir da colaboração, resolução de problemas reais que beneficiam o social e se utilizam de recursos acessíveis.  

A escola é a porta de entrada para trabalhar com o empreendedorismo que tem o foco na intencionalidade, transdisciplinariedade e o protagonismo juvenil dos estudantes, associado as metodologias ativas que tem o foco tirar o aluno da passividade e trazê-lo ao centro do processo cognitivo.  

A educação empreendedora pode ser trabalhada em qualquer etapa da escolarização desde os pequenos aos jovens estudantes. E é um dos caminhos para o trabalho a partir de temas integradores, transversais e integrais, sem fragmentações de conhecimento ao permitir que os estudantes teçam reflexões, análises e resolvam problemas, que podem ser da unidade escolar, do bairro e ou que envolvam o território educativo.  

 

Intencionalidade

 

Para explorar a educação empreendedora é importante trabalhar a partir da intencionalidade, resolver um desafio, pensar em questões que os estudantes tenham que refletir sobre estratégias para resolver e que permitam desenvolver o senso crítico, a autonomia e a ter ideias sustentáveis. 

Um por exemplo disso, é pensar sob a ótica da questão ambiental. Por exemplo, no trabalho de robótica com sucata que idealizei junto aos estudantes da Emef Almirante Ary Parreiras, teve o viés empreendedor, voltado a pensar na sustentabilidade do trabalho, em que a solução se deu através de parceria e da venda de materiais recicláveis a empresas  e repasse de verbas a APM (Associação de Pais e Mestres) para torna-lo sustentável na unidade escolar.  

 Antes de criar a estratégia para sensibilizar os estudantes, eles foram desafiados a pensar, pesquisar, conhecer sobre reciclagem, sustentabilidade, descarte de materiais e o ciclo de vida de materiais e produtos (da fabricação ao descarte), realizar o reconhecimento da comunidade e propor soluções em que uma das estratégias utilizadas foi o designer thinking que consiste em criar uma chuva de ideias para pensar soluções, chegando na proposta da parceria. 

E justamente aqui que nasce a intencionalidade e a educação empreendedora, ao permitir que os estudantes de maneira coletiva realizem uma imersão sobre o tema abordado, buscando ideias inovadoras para implementar.  

Transdicisplinariedade

 

O nosso cérebro é dinâmico e não segrega conhecimentos, por isso trabalhar a partir da luz da transdisciplinariedade é essencial para incentivarmos aos estudantes a lançarem o conhecimento sobre características múltiplas, desenvolver diversas habilidades e serem criativos.  

A transdicisciplinariedade pode ser trabalhada a partir de um eixo integrador que pode nascer de uma área do conhecimento e abarcar as demais. Um exemplo é quando pensamos nas grandes construções da civilização, não é apenas um tema relacionado a história, envolve outros conhecimentos, como: artes, ciências, filosofia, matemática, linguagens e tantas outras para explicar períodos. É o estudante tem a oportunidade de explorar um mix de conhecimentos, criando associações e permitindo conexões, em que precisa do outro para realizar o seu argumento, sendo uma concepção integral.   

Ao fazer isso o estudante está mobilizando diversos conhecimentos, assegurando suas experiências, compartilhando e construindo argumentos para a vida cidadã.  

 

Protagonismo

 

Desenvolver o protagonismo é um dos maiores desejos da educação moderna e a educação empreendedora pode contribuir com este viés. Ao permitir que os estudantes trabalhem encontrando soluções e com projetos estamos trabalhando com as metodologias ativas e suas modalidades. 

O estudante deixa de ser passivo para ser ativo, constrói o seu conhecimento, toma decisões, expõe argumentos e tornam-se empreendedores. O papel do professor é de mediar este processo e oportunizar a desafiá-lo a encontrar soluções e impasses. 

O desenvolvimento destas características nos estudantes consiste em permitir atitudes, questionar processos, que sejam curadores de informações. Ao invés do professor iniciar a aula questionando o que estudante sabe sobre determinado assunto, deve questioná-lo o que conhecem sobre ele, isso é ter altas expectativas a todos os estudantes e ouvi-los. 

Um abraço, 

Débora

Veja outros conteúdos

Para gestores: como apoiar os professores em momentos de crise?

Para gestores: como apoiar os professores em momentos de crise?

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix é criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Os anos de 2020 e 2021 certamente foram e serão por muito tempo os anos mais desafiadores de nossas carreiras. Estivemos envolvidos em mudanças que transformaram as nossas relações sociais, nossa vida pessoal e profissional. Lembro do turbilhão que foi o ano de 2020 quando as escolas começaram a fechar: eram professores de todo o país me procurando para pedir socorro, montar um plano estratégico, planejar com eficiência e adaptação.

Mais de um ano depois, o que encontramos é um cenário em que os estudantes estão cansados e professores tentando processar toda essa informação. Surgiram até novos conceitos como “fadiga de zoom”, que é o cansaço provocado pelo tempo de tela, em reuniões ou aulas online, por exemplo, em que ficamos o tempo todo nos visualizando e sendo vistos. Dentro deste panorama, sabemos de toda a movimentação que a escola como um todo precisou realizar, em maior ou menor grau. Muitos professores tiveram de revolucionar suas práticas, planejando aulas em um formato que nunca pensaram executar e que claro, não foram formados para isso.

Esse caráter de emergência abateu todos nós: pais, famílias, estudantes, professores, coordenadores, orientadores e toda a comunidade escolar. É nesse sentido, que algumas escolas e eventos em todo o mundo têm pensado em ações que apoiem não somente os estudantes, mas também os docentes, que têm se empenhado em realizar o melhor, com as ferramentas que têm acesso. Por isso, trago algumas ideias bastante simples, mas efetivas no apoio e construção de uma cultura institucional que valoriza a saúde mental de seus colaboradores, que apoia, acolhe e reserva momentos para deixar essa comunicação clara a todos: a de que um de seus pilares é o da troca, do suporte e apoio.

A escola Arcadia High School de Los Angeles criou questionários para conhecer as demandas dos professores: que dificuldades estavam enfrentando e disponibilizaram programas para eles, baseado nos seus interesses. Assim, chamaram professor de ioga uma vez por semana na escola, bem como psicólogos, especialistas em atenção plena, psicologia positiva, etc. Tudo baseado nos interesses dos professores e não numa decisão unilateral da escola.

Na escola Fall-Hamilton Elementary, em Nashville, criaram uma estratégia chamada “tap-in tap-out” que é um código que o professor (quando sente que as coisas estão fugindo de seu controle) envia para outro colega ou coordenador, que vai até a sua sala substituí-lo por 5 minutos para respirar e voltar aos trilhos. A ideia é: conte com seu colega.

Muitas escolas em todo o mundo estão fazendo: checkins matinais. Aquele encontro de toda a equipe, para tomar um café, receber uma mensagem carinhosa, compartilhar um sentimento, estreitar os laços. É o momento de promover união e apoio a todos, trocar ideias, receber e dar sugestões e mostrar-se atento (a) à equipe.

A construção de atitudes simples como essas, que podem ser adaptadas para cada realidade, é fundamental para construção de um ambiente escolar acolhedor, que preza pela qualidade e excelência do que produz, valorizando pessoas. E esses momentos de troca e apoio se valem entre professor-aluno, professor-professor, professor-gestores e suas trocas mútuas, pois também os gestores precisam de apoio e compreensão. É por isso que uma cultura escolar saudável, tem em sua pauta o diálogo mútuo entre todos os envolvidos.

Um grande abraço digital,

Profa. Emilly Fidelix | @seligaprof

8 passos para contar histórias e engajar a turma

8 passos para contar histórias e engajar a turma

Como o ato de contar histórias pode transformar a sua sala de aula em um espaço colaborativo e criativo com grandes resultados de aprendizagem. Texto Emilly Fidelix Era uma vez, uma história. Quem não se encanta por elas? Histórias são parte de nossas vidas e se manifestam em diferentes formatos: nos registros produzidos em paredes de cavernas – a chamada arte rupestre –, nas histórias de ninar, nos contos de fadas, na literatura, nas fábulas, nas novelas, nos filmes e nos seriados. As histórias estão também na conversa, no diálogo entre amigos que contam um ocorrido, num álbum de família, numa propaganda, nos arquivos pessoais de um grande gênio da humanidade ou de um indivíduo comum. Já deu para entender que storytelling tem tudo a ver com histórias, né? Mas quando falamos sobre utilizar essa técnica na educação, não estamos tratando apenas de fazer a leitura de um livro e mostrar suas ilustrações aos estudantes. Storytelling vai muito além. Vamos descobrir?

Descobrindo um novo mundo


Storytelling trata de contar histórias, aliás, mais que isso: trata-se de contar boas histórias. Essa técnica – já utilizada pelas mídias e pelo entretenimento por meio do cinema e da publicidade, por exemplo – pode ser aproveitada também no âmbito educacional pelos professores. Vamos pensar juntos: Qual é o objetivo de uma propaganda de televisão? Entre tantas outras propagandas, além de vender o produto, quer chamar a atenção de quem assiste. Para isso, recursos como cores, sons, imagens, histórias envolventes e a própria linguagem são explorados para gerar emoções e conexões, mantendo o telespectador engajado na mensagem transmitida. A Coca-Cola, por exemplo, é uma das marcas que mais aplicam com sucesso a técnica do storytelling em suas propagandas, especialmente aquelas de Natal que visam emocionar e passar uma mensagem de esperança e bem-estar a quem assiste (mod.lk/ex_coca). O mesmo ocorre com filmes, seriados e novelas: entre cenas de ação, humor e drama, muitas histórias são contadas e construídas, gerando emoções diversas em quem acompanha, ganhando a atenção plena de quem está do outro lado da tela. Não se engane ao pensar que a técnica pode ser utilizada apenas em comerciais. O storytelling pode ser usado em apresentações de trabalho, de projetos, de propostas, em planejamentos, com o objetivo de explicar um conceito, ilustrar uma emoção, apresentar resultados, convencer, conquistar, inspirar e, principalmente, engajar.

Grandes storytellers e seus segredos


Há alguns indivíduos que se destacaram e mudaram suas vidas por serem grandes storytellers e por utilizarem isso ao seu favor, seja para transmitir sua mensagem, para compartilhar uma causa, para expandir seus negócios ou para se tornar reconhecido em alguma área do conhecimento. É o caso de Steve Jobs, Martin Luther King Jr., Bill Gates e Malala Yousafzai, que nos deixam algumas lições exploradas no livro Storytelling: Aprenda a contar histórias com Steve Jobs, Papa Francisco, Churchill e outras lendas da liderança, de Carmine Gallo:

STEVE JOBS Storytellers inspiradores são eles mesmos inspirados e compartilham o seu entusiasmo com o seu público.ão.

MARTIN LUTHER KING JR. Grandes storytellers se tornam, não nascem assim. Aproveitam as oportunidades para aperfeiçoar suas habilidades de falar em público e de inspirar espectadores. 

BILL GATES Quebre expectativas. Quando as pessoas acham que sabem o que vem adiante, surpreenda. Crie histórias inesperadas, chocantes ou surpreendentes.

MALALA YOUSAFZAI Conte histórias com o coração. Uma boa história pode levar alguém às lágrimas; uma história magnífica pode dar início a um movimento. 

A jornada do herói

O modelo a seguir, também disponibilizado no livro de Carmine Gallo, foi compartilhado por Austin Madison, um animador e criador de storyboards de vários filmes da Pixar, como Ratatouille e Toy Story 3. Em uma apresentação, Austin compartilhou os 7 passos que os filmes da Pixar seguem e que têm como objetivo dar à plateia alguém por quem torcer:

Era uma vez um _________________. (O protagonista/herói)

Todo dia ele _________________. (O mundo desse herói é um mundo comum, cotidiano)

Até que um dia _________________. (Toda história atraente tem um conflito, um desafio para o herói)

Por causa disso _________________. (Uma série de esforços vão acontecer e se conectar em sequência com a cena seguinte – como se tudo fosse se encadeando)

Por causa disso, _________________. (Outras cenas que são conectadas com as anteriores e as seguintes.)

Até que finalmente _________________. (O clímax – o triunfo do bem sobre o mal)

Desde então _________________. (A moral da história)

Agora, veja o exemplo aplicado ao filme Star Wars a partir da história do personagem Luke Skywalker:

Era uma vez um menino de fazenda que queria ser piloto.

Todo dia ele ajudava na fazenda.

Até que um dia sua família é assassinada.

Por causa disso, ele se junta ao lendário Jedi Obi-Wan Kenobi.

Por causa disso, contrata o contrabandista Han Solo para levá-lo a Alderaan.

Até que finalmente Luke alcança seu objetivo e torna-se piloto de guerra e salvador da pátria.

Desde então, Luke está a caminho de se tornar um cavaleiro Jedi.

Um exemplo prático

No meu caso, como professora de História, usei alguns elementos da Jornada do Herói (existem vários modelos para se contar uma história, a Jornada do Herói é uma das possibilidades) para chamar a atenção dos meus estudantes sobre uma temática pouco atraente para a maioria deles: as Cruzadas. Para esse tema, uni duas ferramentas: o storytelling para abordar o assunto e conquistar sua atenção e o Google Maps para aprofundamento e uma experiência de aprendizagem mais significativa. De forma resumida, iniciei a aula em círculo com um bate-papo sobre grupos de pessoas que percorriam, em expedições, longas distâncias, correndo todo o tipo de perigo, desde a fome até doenças para libertar locais sagrados pelos cristãos do domínio islâmico. Algumas pessoas do grupo acreditavam que, ao completarem a jornada, uma mistura de peregrinação com guerra, teriam seus pecados perdoados.

Conforme a história se aprofundava, íamos abordando outros objetivos das Cruzadas e suas características, e muitas perguntas surgiam: “eles eram loucos?”, “Quantos dias eles andavam?”, “Eles iam morrendo pelo caminho?”, “Que distância eles percorreram?” Era o que bastava para convidar a turma à pesquisa. Em equipes, os alunos jogavam os dados que tínhamos disponíveis no Google Maps e descobriam a distância percorrida em cada Cruzada – com um paralelo ao mapa do mundo atual. De repente, eu ouvia: “professora, você não vai acreditar! Na primeira Cruzada, se a gente fizesse no Brasil saindo lá da pontinha do Rio Grande do Sul, a gente teria que andar até a Bahia! Por que eles faziam isso?! Como eles aguentavam?”. Bem, a partir daí, o casamento entre o storytelling e o uso de ferramentas digitais foi o suficiente para que a aprendizagem das Cruzadas fosse um tema mais relevante, significativo e proveitoso para a turma e eu poderia dar sequência a outras coisas interessantes que veríamos juntos sobre aquele período.

Outro exemplo na minha trajetória como professora foi uma série de arquivos fictícios e pessoais dos tempos da Segunda Guerra Mundial que criei a partir do conteúdo que trabalharia. Era uma turma de Ensino Médio e, num primeiro momento, imaginei que, devido à idade e à fase de vida, os alunos não se interessariam e minha ideia iria por água abaixo. Ledo engano: pessoas amam histórias e desafios.

Cortei algumas folhas de papel sulfite, derramei café nelas e deixei que secassem de um dia para o outro. Resultado: folhas marrons, parecendo papel antigo. Juntei restos de papel kraft, papel cartão preto e alguns envelopes de carta. O próximo passo foi a definição dos meus personagens: os “donos” dos arquivos. Assim fiz: duas amigas judias se escondendo com suas famílias; pai e filho alemães, sendo o filho soldado do exército; esposa e marido japoneses, sendo ela enfermeira em guerra, e outros. Escrevi à mão algumas cartas curtas, todas com datas do período entreguerras. Na internet, consultei cartões-postais antigos com imagens da França e da Europa em geral, para simular cartões enviados por correspondência. Também imprimi selos de carta da época e colei nos envelopes. Para as cartas mais longas, escrevi no Word, utilizando a fonte Courier New (semelhante à fonte de máquinas de escrever, para manter a sensação de ser algo antigo) e juntei alguns objetos que pareciam antigos.

Cada equipe ganhou um arquivo e teve de ler, analisar as datas, as informações e descobrir a relação entre o remetente e o destinatário, descobrir o período em que viviam, o que contavam, no que trabalhavam, enfim, uma simulação ao trabalho de pesquisa de um historiador, que tem de lidar com documentos não lineares e que não trazem todas as informações. Ao final, cada equipe apresentou seus personagens e contou suas histórias baseando-se na documentação disponibilizada. Hoje, já adultos, quando os alunos daquela turma me encontram, afirmam: “professora, nunca mais esqueci o que estudamos sobre a Segunda Guerra Mundial e o que aconteceu naquele período”. Tudo porque estudamos um período tão importante, com histórias “reais” em pano de fundo.

Como começar o storytelling?

Agora você deve estar se perguntando: quais lições um educador storyteller pode dar a outro educador que quer explorar essa técnica? Como professora de História e, consequentemente, mas não acidentalmente, uma contadora de histórias, compartilho algumas sugestões:

① Pense de forma interdisciplinar. Todas as áreas do conhecimento estão conectadas; a matemática, a geografia, a história, as linguagens, a arte, a educação física, a química – no universo, não há gavetas separando os temas. Conectar a sua temática com outra área ajuda a dar sentido e demonstrar a relação entre o cotidiano e o que está sendo explorado. Numa receita de bolo, a matemática (quantidades) e a química (fermentação) podem se juntar e se transformar em uma história que envolve a vida cotidiana, algo palpável, concreto.

Vejamos um exemplo.

“Pessoal, vocês não imaginam o que aconteceu comigo ontem! Estava muito feliz pelo aniversário do meu sobrinho que fez 18 anos, então me inspirei, tomei coragem e fiz algo que nunca faço: um bolo! Peguei uma receita qualquer na internet, às pressas e sem perceber que as quantidades não estavam fazendo muito sentido. Ao final percebi que havia colocado pouca farinha, muitos ovos e muito fermento. Imaginem o resultado! O bolo ficou com um aspecto estranho e como usei muito fermento, que tem sua reação causada pela temperatura e que só para quando todo o fermento reage, o bolo crescia sem parar! Eu me lembrei da importância das frações na cozinha, seja para não comer comida salgada demais, para não desperdiçar ou mesmo para não causar essa catástrofe que foi o meu bolo de aniversário. Depois de tudo isso, vamos aprender a fracionar e perceber o quanto utilizamos isso no nosso dia a dia?”

② Domine o conteúdo. Para contar histórias, saiba bem do que está falando. Depois, pense em situações que podem ser reais (a biografia de um ícone daquela área), pessoais (quando você mesmo vivenciou e tirou uma lição) ou criadas (quando você conta situações envolvendo uma história).

③ Use e abuse de elementos atraentes. Pense em todos os elementos e ferramentas necessários à sua história para torná-la mais relevante. Você pode incluir seus alunos como personagens, sua cidade, a escola; pode inserir algum cantor, uma celebridade, alguém muito conhecido na cidade; pode eleger uma música-tema e usar ferramentas simples do cotidiano da turma como gifs, memes, vídeos, imagens, enfim, o que puder ilustrar esse momento ou partes da história.

④ Use sua voz. O tom de voz mais baixo indica a sensação de suspense, de contar um segredo. Isso atrai a atenção dos estudantes para o que vem a seguir. Além disso, um tom de voz mais alto indica ânimo, energia, e se utilizado para enfatizar momentos, destacar falas e indicar sensações como a de susto torna a história mais envolvente.

⑤ Ilustre com objetos reais: Antes de falar sobre frações, você pode levar alguns objetos e pedir à turma que divida, some ou multiplique, por exemplo. Em vez de chegar em sala de aula afirmando: “Turma, hoje vamos estudar o Egito Antigo”, apresente imagens de tumbas, das pirâmides, da esfinge, do Egito hoje, ilustrações de Cleópatra e outros ícones egípcios. Faça hipóteses antes de você entrar de vez na temática.

⑥ Avalie com storytelling. Que tal pensar na avaliação utilizando o storytelling? Crie um personagem que precise de ajuda e, a cada questão respondida, o estudante chega mais perto de salvá-lo do mal.

⑦ Crie zines. Zines são a abreviação de fanzines, muito utilizados por produtores culturais de pequena circulação. São pequenos livros feitos com papel sulfite e que podem ser utilizados como cartões, biografia, livros com histórias curtas, cartões com resumos de conteúdos, etc.

⑧ Desperte a criatividade com ferramentas digitais. Uma boa forma de trabalhar storytelling como aliado no desenvolvimento da competência 4 da BNCC – a comunicação –, são as histórias em quadrinhos, exercitando a expressão a partir de uma variedade de linguagens e plataformas, utilizando a criatividade. Você pode lançar o desafio para os seus alunos através de ferramentas como o Storyboard That (www.storyboardthat.com/pt), o Strip Generator (www.stripgenerator.com) e o Make Beliefs Comix (www.makebeliefscomix.com). Com essas ferramentas digitais, os alunos podem contar sua própria história, a história de um grande cientista, de um escritor ou resumir uma história literária. Além disso, a turma pode sintetizar o conteúdo visto ou trazer curiosidades adicionais sobre a temática estudada.

Nossa história está chegando ao fim, mas para ajudar você, professor, a perceber a importância de conquistar a atenção dos seus estudantes e propiciar uma aprendizagem cada vez mais significativa, finalizo este breve roteiro com uma fala do especialista em Neuroeducação, Francisco Mora, em seu livro Neuroeducación: solo se puede aprender aquello que se ama, publicado em 2013: “A curiosidade, o que é diferente e se destaca no entorno, desperta a emoção. E, com a emoção, se abrem as janelas da atenção, foco necessário para a construção do conhecimento” (p. 66). 

 

Emilly Fidelix é professora há 12 anos, tendo trabalhado com turmas de Educação Infantil ao Ensino Superior. É historiadora, doutoranda em História Global (UFSC) e Especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR). Também é criadora da página no Instagram @seligaprof na qual explora temas como tecnologias e metodologias ativas.

PARA SABER MAIS

GALLO, C. Storytelling: Aprenda a contar histórias com Steve Jobs, Papa Francisco, Churchill e outras lendas da liderança. São Paulo: Alta Books, 2018.

MORA, F. M. Neuroeducación: Solo se puede aprender aquello que se ama. Madrid: Alianza Editorial, 2017.

Veja outros conteúdos

3 ideias práticas de experiências de aprendizagem para explorar no ensino remoto

3 ideias práticas de experiências de aprendizagem para explorar no ensino remoto

Emilly Fidelix

Emilly Fidelix

É criadora do @seligaprof, onde impacta milhares de professores de todo o Brasil, palestrante e formadora de professores. É doutoranda em História Cultural (UFSC), especialista em Tecnologias, Comunicação e Técnicas de Ensino (UTFPR), colunista no blog Redes Moderna e professora de pós-graduação no Instituto Singularidades. Atua nas áreas de metodologias ativas, storytelling aplicado à educação e BNCC.

Experiência de aprendizagem é certamente um dos termos que mais veremos num futuro próximo, especialmente com a retomada das discussões envoltas na aplicação ideal da BNCC através do desenvolvimento de competências e habilidades, bem como à aderência a novos métodos, que envolvam a experimentação, a criação e, consequentemente, o protagonismo dos estudantes nesse processo.

Nesse percurso, tem ganhado espaço a teoria de David Ausubel, ainda pouco estudada e explorada nos cursos de licenciatura e pedagogia: a aprendizagem significativa. Como construir, nesse sentido, experiências de aprendizagem que não se baseiam apenas na transferência de informações? Como fica o papel do educador num cenário de constantes mudanças na educação? Como desenvolver habilidades e competências? E mais desafiador ainda, como fazer tudo isso num modelo remoto?

Primeiro, precisamos estar alinhados em um ponto fundamental: experiências de aprendizagem. Perceba que o foco não está na experiência de ensino. O nosso olhar se volta para como os estudantes aprenderão, como construirão esse aprendizado. E quando falamos de experiências, estamos falando de experimentação, de criação, de teste, de verificação, de reflexão, de momentos de aprendizagem que envolvam práticas multissensoriais, que atendam aos diversos estilos de aprendizagem, que sejam desafiadoras, mas também, motivadoras, instigantes.

A sequência didática da construção e planejamento das diversas etapas é papo para outro artigo, aqui, vamos focar na construção de desafios e atividades que podem ser feitas em diversos formatos de aula, aproveitando sempre recursos simples e baseados na BNCC.

Complicado? Na teoria, pode parecer. Mas se olharmos a riqueza de possibilidades que temos, pensando juntos, simplificamos. Vamos lá?

 
  • Produção de videominuto: uma ótima oportunidade para desenvolver a comunicação, a criatividade, a capacidade de síntese, a elaboração de roteiros, a produção colaborativa e a experiência autoral. Videominuto é uma das práticas que aparecem na BNCC, especialmente na área de linguagens, mas pode ser explorada em todas as áreas, propiciando produções que envolvam temáticas diversas.

Exercício: Que temática trabalharei em breve, que me possibilita utilizar esse recurso como um desafio instigante aos meus estudantes?

 
  •  Produção de podcast: nós já vimos por aqui uma ferramenta muito simples e online para criar podcasts com o celular ou computador, o site: https://vocaroo.com. Que tal passar esse desafio aos estudantes, para que contem histórias, realizem entrevistas breves com familiares, produzam um curto programa de rádio fictícia, criem um roteiro focado em informações científicas, identificação de fake news ou trazendo fatos curiosos ou biográficos sobre um ícone?

Exercício: Como posso aproveitar a produção de podcasts com meus estudantes, levando em consideração as temáticas a serem trabalhadas e a idade deles?

 
  • Exercícios que envolvam produtos que os estudantes têm em casa: a experiência de explorar um conteúdo através de produtos, embalagens, objetos que se tem em casa torna-se muito mais significativa que ver uma ilustração estática. Que tal explorar elementos químicos de um produto de limpeza? Ou a tabela nutricional de na embalagem de um alimento? E se explorarmos a história de uma civilização antiga iniciando um debate sobre a história da nossa própria família? E se trabalharmos as formas geométricas a partir de objetos que temos em casa?

Exercício: realize uma lista dos seus próximos conteúdos e temáticas e pense em formas de explorá-lo a partir de objetos que os estudantes tenham em casa. Os objetos não precisam estar inteiramente interligados ao conteúdo, mas podem se tornar um ponto de levantamento de ideias, discussões e reflexões para entrar no tema, por exemplo.

 

Ponto de atenção: ao final de cada processo de criação ou discussão, explorar com os estudantes o que aprenderam no processo, como conectaram os pontos, no que erraram e o que aprenderam com tal experiência.

Ideias são compartilhadas para que você, educador, adapte à sua realidade, aos seus objetivos pedagógicos e podem ser transformadas em outras ideias, que caibam ao seu público e formato de aulas adotado. Desejo que essas ideias se multipliquem em outras ideias simples, mas efetivas na construção do conhecimento nesse momento desafiador.

Seguimos juntos!

Professora Emilly Fidelix

Veja outros conteúdos

Metodologias ativas | Formação de professores

Metodologias ativas | Formação de professores

 Tonia Casarin

Tonia Casarin

Tonia Casarin é mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University.

Educação Socioemocional

A Aprendizagem socioemocional está cada mais presente no ambiente escolar. Nem sempre construída de forma efetiva, mas já reconhecida como um critério fundamental e com impacto direto do desempenho acadêmico dos alunos. Inúmeros são os benefícios da Educação Socioemocional, o mais expressivo com certeza é a melhoria nos índices acadêmicos como afirmam diferentes pesquisas. Outro dado relevante é o desenvolvimento do autocontrole, necessário em uma época onde os noticiários nos mostram o crescimento da violência dos alunos em relação aos educadores. Além de mostrar a redução do conflito entre os alunos e sua interferência na qualidade de vida e saúde mental de todos no ambiente escolar. Porém, existe um fator a longo prazo ainda pouco discutido: o impacto das competências socioemocionais do desenvolvimento econômico. Quer saber mais, a autora Tonia Casarin nos ajuda nessa missão!

O estudo e aplicação do desenvolvimento das competências socioemocionais nas escolas é decorrente de pesquisas acadêmicas em diversas áreas do conhecimento: pedagogia, andragogia, neurociência, psicologia, educação, economia e outras ciências. Além disso, experiências atuais demonstram melhores resultados acadêmicos e sociais para crianças cujas competências socioemocionais foram mais bem desenvolvidas. Obviamente, as competências cognitivas e acadêmicas continuar sendo o cerne da educação, que passa a incorporar, de forma intencional aspectos socioemocionais na educação de alunos.  Um exemplo ocorre quando alunos desenvolvem competências socioemocionais, eles são mais motivados a participar da vida escolar e mais comprometidos.
Como outros resultados desses estudos e experiências, temos conclusões que apontam que o trabalho com as essas competências contribui para a redução do abandono escolar e para a melhoria do desempenho acadêmico, e ainda ressalta a escola como um espaço seguro para estimular o desenvolvimento socioemocional dos alunos, tornando-a central no papel de formação integral dos seus alunos. Conforme o CASEL (The Collaborative for Academic, Social and Emotional Learning), a aprendizagem de habilidades socioemocionais é uma das estratégias mais significativas para promover sucesso acadêmico e reformas escolares eficazes.
Dados mostram que a aprendizagem socioemocional melhora resultados acadêmicos, ajuda alunos a desenvolver autocontrole, melhora as relações da escola com a comunidade, reduz os conflitos entre os alunos e o bullying, ajuda os professores a manter o controle da sala de aula e ajuda os jovens a serem mais saudáveis e bem sucedidos na escola e na vida.

 
 

Dentre algumas implicações de pesquisas, uma das mais interessantes sobre crianças que participam de programas de aprendizagem socioemocional em escolas, são os estudos longitudinais, aqueles que acompanham as crianças por longo período de tempo. Esses estudos comprovam impactos em todos os anos escolares, contextos sociais e tipos de escolas.
Os resultados mostram que 23% dos alunos apresentam de melhoria em habilidades socioemocionais, 9% de melhoria em atitudes frente a escola, família e outras pessoas de seu convívio, 9% de melhoria em comportamento social e 11% melhoria em testes acadêmicos. Esses benefícios são  acompanhados de 9% a menos de problemas de comportamento, e 10% de redução em distúrbios emocionais. Além disso, os pesquisadores identificaram a redução de fatores de risco em várias áreas da vida de uma criança, envolvimento em problemas como violência, delinquência, abuso de substâncias químicas ou a reprovação escolar.
Um recente estudo de 2015 da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) faz um panorama entre dezoito países sobre o impacto das competências socioemocionais do desenvolvimento econômico de diferentes populações. As correlações indicam que, em todos os países, habilidades socioemocionais se relacionam com níveis de  renda e desemprego, graduação, obesidade, depressão, problemas de comportamento e conduta, bullying, comportamentos vitimizantes, além de indicadores de qualidades de vida e saúde física.

 

Outra argumentação relevante é o estudo da área da economia. Ele mostra que o impacto econômico longitudinal indica, em média, uma economia de 11 dólares para cada um dólar investido em educação e aprendizagem socioemocional na infância e na adolescência.
Portanto, a importância de aumentar a capacidade dos alunos no longo prazo de lidar com diversas situações e protegê-los de riscos é central no desenho de um programa de habilidades para a vida. Não somente esses indivíduos irão colher os resultados para sua vida, como o país será beneficiado como um todo, como indicam os estudos.

Eu sou Tonia Casarin, mestre em Educação pelo Teachers College Columbia University (NY). Escrevo neste espaço quinzenalmente sobre educação socioemocional e educação integral, assunto fundamental na pauta das escolas e das famílias.

Veja outros conteúdos

Artigo
Emoções impactam a aprendizagem. Será?
Você já assistiu ao filme “Divertida Mente”? Caso não, o que está esperando? Você não se arrependerá. Mas em caso de resposta positiva, deve se lembrar do papel fundamental que as emoções tinham.
Artigo
A vez da Educação 5.0
O termo Educação 5.0 é uma evolução natural da educação 4.0, advinda da revolução industrial. Na educação ganhou o termo ganhou força com abordagens inovadoras como as metodologias ativas.
Artigo
A importância da brincadeira para a aprendizagem
Brincar: correr, pular, ser desafiado, gritar, sorrir, chorar, explorar, cantar, investigar, negociar, movimentar, imaginar, ressignificar, aprender. Você já havia pensado na quantidade de ações envoltas no simples ato de… brincar?
Artigo
Como trabalhar o empreendedorismo nas aulas
A escola possui um papel essencial de ser ativa e proporcionar aos estudantes novas concepções e vivências de aprendizagem. 

Edição 18 da Educatrix disponível para download!

Edição 18 da Educatrix disponível para download!

Para esta edição, convidamos, você, educador, a participar de um mergulho profundo no tema Projeto de vida. Para nos ajudar nesta missão, convidamos especialistas que embarcaram conosco em busca por respostas sobre como colaborar com a formação dos alunos, sem esquecer da construção dos projetos dos próprios professores.

Esperamos que vocês encontrem ferramentas para que essa grande jornada de conhecimento, se reverbere em ações para aplicarmos em nossas salas de aulas, em nossas comunidades escolares e que, acima de tudo, sigamos construindo, juntos, cada vez mais, uma educação para a vida.

Veja outros conteúdos

Artigo
Emoções impactam a aprendizagem. Será?
Você já assistiu ao filme “Divertida Mente”? Caso não, o que está esperando? Você não se arrependerá. Mas em caso de resposta positiva, deve se lembrar do papel fundamental que as emoções tinham.
Artigo
A vez da Educação 5.0
O termo Educação 5.0 é uma evolução natural da educação 4.0, advinda da revolução industrial. Na educação ganhou o termo ganhou força com abordagens inovadoras como as metodologias ativas.
Artigo
A importância da brincadeira para a aprendizagem
Brincar: correr, pular, ser desafiado, gritar, sorrir, chorar, explorar, cantar, investigar, negociar, movimentar, imaginar, ressignificar, aprender. Você já havia pensado na quantidade de ações envoltas no simples ato de… brincar?
Artigo
Como trabalhar o empreendedorismo nas aulas
A escola possui um papel essencial de ser ativa e proporcionar aos estudantes novas concepções e vivências de aprendizagem. 

ESPECIAL Trilhas da BNCC | Ensino de línguas

ESPECIAL Trilhas da BNCC | Ensino de línguas

Percursos possíveis para trabalhar habilidades e competências exigidas na Base em todos os componentes curriculares.

Texto Educatrix

Conectar as diversas habilidades para desenvolver competências é a base da escola do século XXI. A Base Nacional Comum Curricular que o diga. A proposta de reestruturação das disciplinas como componentes curriculares dentro das áreas do conhecimento (Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza) por si só já demonstra o foco do documento em desenvolver, a partir da consolidação das competências específicas de cada área, atitudes que colaboram com a formação integral do aluno.

Apesar de ser algo bastante atraente na teoria, ainda há uma série de dúvidas sobre como estimular as competências no dia a dia em sala de aula. Por isso, convidamos autores de materiais didáticos e especialistas de cada componente curricular das quatro áreas do conhecimento para sugerir como planejar aulas, projetos e reflexões focados na autonomia e no protagonismo das novas gerações. Qual, de fato, é o papel das escolas dentro desse ecossistema vivo que transcende o projeto escolar e forma cidadãos globais?

A BNCC e a língua portuguesa

Um aprendizado baseado nas múltiplas práticas de linguagem.

Texto Moderna

a proposta da bncc para o ensino de Língua Portuguesa não é essencialmente inovadora, pois complementa o que já era proposto pelos Parâmetros Curriculares Nacionais. O componente é abordado sob a perspectiva enunciativo-discursiva de linguagem, cuja adoção implica a compreensão de que um texto não é apenas um conjunto de frases ou de parágrafos organizados para produzir sentido, mas a materialização de determinado uso da língua que ocorre em um contexto social e histórico e sob circunstâncias específicas.

Uma placa com a frase “Silêncio!” em uma parede de hospital, por exemplo, deve ser, sob essa perspectiva, analisada como um discurso, ou seja, como a expressão de uma ordem, produzida com a intenção de orientar o comportamento das pessoas para manter o cuidado com os pacientes. Na bncc, o texto (oral, escrito, multimodal/multissemiótico) torna-se o centro das atividades, implicando um trabalho com a língua não apenas como um código a ser decifrado nem como um mero sistema de regras gramaticais, mas como forma de manifestação da linguagem. A finalidade é fazer com que o ensino de Língua Portuguesa permita o desenvolvimento crítico e reflexivo do aluno como agente da linguagem, capaz de usar a língua e as linguagens em diversificadas atividades humanas.

Com esse objetivo, a bncc propõe práticas de linguagem de diferentes esferas ou campos de atuação: vida cotidiana e pública, artístico-literário, práticas de estudo e pesquisa jornalístico-midiático etc. Tais práticas devem ser norteadas a partir de quatro eixos organizadores:

01 – Oralidade Propõe a produção de textos orais, considerando as diferenças entre língua falada e escrita e as formas específicas de composição do discurso oral, em situações formais ou informais.

02 –  Leitura O foco está na interação ativa entre leitor/ouvinte/espectador com textos escritos, orais ou multissemióticos de diferentes campos. Para aprimorar a compreensão leitora, o professor pode propor diversificadas experiências de ler, ouvir, comentar textos escritos etc. Essas experiências devem incluir a reflexão sobre quem escreveu, para quem, sobre o quê, com que finalidade, em qual tempo e espaço, como o texto circulou etc.

03 – Produção de textos Propõe o engajamento dos alunos em situações reais de produção de textos verbais, não verbais, multimodais/multissemióticos, considerando o uso das linguagens adequado ao contexto de produção, recepção e circulação. Essas oportunidades de produção devem ser uma atividade sociointeracional, produzida a partir do diálogo, seja com um sujeito, seja com outro texto. Esse processo não deve ser uma tarefa burocrática, pois deve ser construído como uma atividade em que os alunos se envolvem com as práticas sociais da linguagem, por meio de planejamento, revisão, reescrita e edição de textos.

04 – Análise linguística / semiótica As habilidades desenvolvidas vinculam-se às práticas propostas nos eixos anteriores. Mantém-se o caminho do uso-reflexão-uso que visa a refletir sobre as possibilidades de uso permitidas pelo sistema da língua, oral ou escrita, e das múltiplas linguagens, e a ser capaz de aplicar o recurso mais adequado ao contexto em que está inserido. Propõe-se um trabalho que leve as crianças à reflexão sobre as diferentes materialidades, responsáveis pelos efeitos de sentido em textos oriundos de diferentes campos de atuação. 

A bncc certamente ainda passará por algumas revisões. Afinal, não seria razoável supor que um documento desse porte nascesse pronto e perfeito. A prática em sala de aula certamente será importante fonte de contribuição para tais revisões.

Os desafios para o ensino da língua inglesa

Um exercício de empatia com foco na educação global e para a paz.

Texto Eduardo Amos

montserrat moreno nos ensina que mais difícil do que adquirir novos conhecimentos é conseguir desprender-se dos velhos. A chegada da Base Nacional Comum Curricular (bncc) pode confirmar esse ensinamento, pois significa o início de um dos mais profundos processos de renovação da educação nacional. De maneira geral, muitos professores estão dispostos a encarar os princípios propostos como uma possibilidade de minimizar certas condições que enfrentam atualmente e que são marcadas por indisciplina, violência e desvalorização do aprendizado bem como do próprio professor.

Em uma perspectiva geral, a Base reconhece que a “educação deve afirmar valores e estimular ações que contribuam para a transformação da sociedade, tornando-a mais humana, socialmente justa e, também, voltada para a preservação da natureza” (BNCC, p.8). Nesse sentido, a prática pedagógica tradicional baseada em muitos exercícios gramaticais mecânicos e repetitivos até conseguem produzir um resultado bom em termos de nota, mas jamais irá preparar o aluno para enfrentar os desafios da vida atual. Isso porque a educação tradicional está baseada em modelos do passado que atendem a demandas do passado. Hoje, o mundo e as relações humanas estão muito mais complexos e desafiadores, exigindo o desenvolvimento das competências socioemocionais, uma vez que, por meio desse processo se aprende a reconhecer, nomear e controlar emoções, demonstrar empatia, estabelecer relações sociais pautadas pela civilidade, se colocar no lugar do outro e tomar decisões de maneira responsável.

Soma-se a isso a farta documentação acerca do caráter violento do ambiente escolar, o que exige estratégias e abordagens que trabalhem questões como a resolução não violenta de conflitos, o acolhimento às diferenças, o saber conviver.

Diante desse cenário, dentre as dez competências gerais que devem permear transversalmente as disciplinas, chamamos a atenção para a de número 9, que propõe: “Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza.” (bncc, p. 10).

Essa competência traz para a prática educacional questões altamente relevantes ligadas à Educação para a Paz. E, nessa perspectiva, os esforços pedagógicos para cultivar essas atitudes trarão benefícios à toda comunidade escolar. No entanto, a implementação da BNCC não pode estar apenas nas mãos dos professores. Esse processo deverá ser o resultado do esforço coletivo ou simplesmente nada acontecerá. E nossos jovens têm pressa. Ao contrário do que possamos imaginar, para eles, o futuro já começou. Para eles, o futuro é hoje!

Eduardo Amos

é autor de livros didáticos e paradidáticos há mais de 38 anos. Sua obra Students for Peace recebeu o prêmio ELTons 2017, concedido pelo Conselho Britânico em Londres na categoria Excelência em Inovação em Livros Didáticos para o Ensino de Língua Inglesa. É membro do GEEPAZ – Grupo de Estudos de Educação para Paz e Tolerância do Laboratório de Psicologia Genética da Faculdade de Educação da UNICAMP. Nos últimos anos tem trabalhado também na área de consultoria para instituições escolares na área de Educação para a Paz.

Veja outros conteúdos